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Como Projetar Failover Multi-Região na AWS?

Quando alguém fala sobre como ter resiliência na AWS, pode perceber que a conversa será direcionada a projetar um ambiente failover Multi-AZ na AWS. E isso faz sentido. Tanto que a própria AWS recomenda distribuir a aplicação em várias zonas de disponibilidade (AZ) para aumentar a tolerância a falhas. O problema é quando  paramos o desenvolvimento da arquitetura nesse ponto e não continuamos em um plano de failover multi-região na AWS.

Se a sua aplicação pode aceitar uma interrupção regional rara, mas possível, talvez uma arquitetura em uma única região seja suficiente. Mas, se o negócio precisa continuar operando mesmo com uma falha regional, então precisamos pensar em ter um failover multi-região.

Sumário

O que muda para um failover multi-região?

Primeiro, é importante deixar claro que projetar failover multi-região não significa copiar recursos para uma outra região. Na prática, você precisa desenhar como o tráfego será redirecionado, como os dados serão replicados e qual tempo de recuperação o negócio aceita.

E, segundo, a decisão da sua arquitetura tem de ser ponderada em quanto tempo será sua recuperação (RTO) e qual será a perda aceitável (RPO).

RPO e RTO na Continuidade do Negócio

Na camada de entrada, as opções mais comuns envolvem Amazon Route 53, com health checks e política de failover, e AWS Global Accelerator, que verifica a saúde dos endpoints e envia tráfego apenas para endpoints saudáveis.

Se o seu projeto puder utilizar o Amazon CloudFront, haverá ganhos significativos na entrega do conteúdo, por meio do cache na borda disponível e failover entre origens. Mas aqui existe um detalhe importante de mencionar. O failover de origem do CloudFront vale apenas para requisições GET, HEAD e OPTIONS. Para métodos como POST e PUT, ele não resolve sozinho o cenário de continuidade da aplicação.

Esse ponto é importante porque mostra que failover multi-região não é simplesmente “ligar” um serviço de borda e esperar que tudo esteja resolvido. O roteamento ajuda, mas ele é apenas uma parte do desenho da sua arquitetura. A recuperação real depende da combinação entre tráfego, computação, automação e principalmente dados.

E neste momento, talvez você esteja se perguntando se existe alguma estratégia disponível para a recuperação do ambiente, não é mesmo?

Quais são as estratégias disponíveis?

Na AWS, as estratégias de recuperação de desastres podem ser agrupadas em quatro abordagens principais, que vão desde opções mais simples e econômicas, como backup, até arquiteturas mais complexas com múltiplas regiões ativas. A escolha entre elas depende principalmente do RTO, do RPO, do orçamento disponível e do nível de complexidade operacional que a empresa está disposta a assumir.

A AWS classifica essas abordagens como backup e restauração, luz piloto, standby aquecido e multi-site ativo/ativo. E para facilitar o seu entendimento, preparei uma tabela com suas características:

ESTRATÉGIACUSTOTEMPO RECUPERAÇÃOCARACTERÍSTICA PRINCIPALCENÁRIO
Backup e restauraçãoBaixoLentoOs dados ficam protegidos em backup e o ambiente precisa ser restaurado ou reimplantadoQuando o negócio tolera maior indisponibilidade
Luz pilotoBaixo a médioMais rápida que backup e restauraçãoOs dados e a base crítica já estão prontos na região secundáriaQuando eu quero reduzir RTO sem manter tudo ativo
Standby aquecidoMédioRápidaUma versão reduzida da aplicação já fica em execuçãoQuando eu preciso de uma recuperação previsível
Multi-site ativo/ativoAltoMuito rápidaDuas ou mais regiões atendem produção ao mesmo tempoQuando a indisponibilidade regional tem alto impacto

Em backup e restauração, estamos priorizando os custos. Os dados são preservados e a infraestrutura pode ser reimplantada a partir de automação, como AWS CloudFormation ou AWS CDK. Em compensação, o tempo de recuperação tende a ser maior, porque a aplicação precisa ser reconstruída ou restaurada para voltar a operar.

No luz piloto, mantemos o que é essencial preparado na região de recuperação, principalmente  os dados e componentes básicos. Já as outras partes da aplicação ainda precisam ser ativadas quando o failover ocorre. É uma abordagem que reduz custo em relação a ambientes sempre ativos, mas ainda exige etapas operacionais na recuperação.

No standby aquecido, mantemos uma versão reduzida da aplicação em execução em uma região secundária. Isso permite um failover rápido e previsível, porque uma parte importante do ambiente já está operacional. Em comparação com a luz piloto, o custo aumenta, mas o processo de recuperação tende a ser mais simples, já que a infraestrutura crítica não precisa ser criada do zero no momento do desastre.

No multi-site ativo/ativo, duas ou mais regiões atendem o tráfego simultaneamente. Essa abordagem entrega o nível mais alto de continuidade, mas também cobra mais em custo, observabilidade, automação e no desenho da arquitetura dos dados. Na minha opinião, muitas equipes tentam pular cedo demais para esse modelo, quando uma estratégia intermediária, como a luz piloto, já atenderia muito bem.

E em projetos em que já atuei e que não eram críticos, a estratégia de backup e restauração conseguia me atender muito bem. Também recomendo a automação com o AWS Backup e testem se a restauração funciona.

Por que a camada de dados é a parte crítica?

Sejamos sinceros. A computação pode ser recriada com relativa facilidade. Agora os dados, esses não. É por isso que a AWS trata banco de dados, backup e failover como as partes centrais da resiliência das aplicações.

No Amazon RDS, por exemplo, as réplicas entre regiões usam replicação assíncrona. Isso significa que pode existir defasagem entre a região principal e a secundária, o que afeta diretamente o RPO em um failover. Em outras palavras, você precisa entender que a recuperação rápida não significa necessariamente recuperar sem ter uma perda relativa de dados.
Amazon RDS Replicação Assíncrona entre Regiões
No Amazon DynamoDB, o cenário muda com as tabelas globais, que permite a replicação multi-região e uso ativo em várias regiões.
Já no Amazon S3, a replicação entre regiões ajuda e muito, mas também deve ser tratada com expectativas reais do que ele entrega e de estar no projeto correto.

Os cinco erros mais comuns

  1. Achar que Multi-AZ substitui multi-região. Não substitui. O multi-AZ aumenta a resiliência regional, mas não atende sozinho a um cenário de indisponibilidade da região inteira.
  2. Olhar primeiro para o roteamento e depois para os dados. O caminho correto costuma ser o contrário. Se os dados não estiverem disponíveis, o failover não entregará continuidade na recuperação.
  3. Superestimar o que o CloudFront resolve tudo sozinho. O failover de origem ajuda, mas não cobre todos os métodos HTTP e não substitui uma estratégia completa de recuperação.
  4. Escolher a arquitetura mais complexa, antes de definir o requisito do negócio. Nem toda aplicação precisa de multi-site ativo/ativo. Muitas precisam apenas de uma estratégia coerente, testável e compatível com o custo que cabe no bolso.
  5. Não testar a recuperação. Uma estratégia de recuperação só ganha valor quando é testada e validada. Dizer que tem uma recuperação de desastres na arquitetura sem testar não é garantia de recuperação.

Agora que você entendeu o que costuma dar errado, a pergunta que podemos fazer é: como eu posso começar do jeito certo?

O que eu já fiz que deu certo

  1. Tenha uma arquitetura com Multi-AZ.
  2. Defina o RTO e RPO de forma realista com o projeto.
  3. Escolha uma estratégia de recuperação e simule um desastre em um ambiente controlado.
  4. Automatize os backups e volte ao passo 2 dentro de alguns dias.

Na prática, eu não começaria com multi-site ativo/ativo, a não ser que seja um requisito do cliente ou do projeto. Em muitos cenários, o backup e restauração e a luz piloto já entregam o que você precisa e com baixo custo.

Também vale lembrar que projetar um ambiente failover multi-região não é um exercício de continuidade. Mas sim uma excelente oportunidade para amadurecer a sua visão de arquitetura na AWS e entregar um projeto robusto para o seu cliente, porque vai lhe obrigar a conectar rede, fazer o roteamento, pensar nos dados, ativar automação e testar a operação.

Se você está começando a estudar AWS, entender esses fundamentos ajuda a enxergar por que a nuvem não é apenas um conjunto de serviços, mas um conjunto de decisões de arquitetura.

Por isso, tenha como objetivo evoluir na carreira e estude com o curso preparatório do exame AWS Solutions Architect Associate. Nele você aprenderá a teoria e a prática das tecnologias e serviços AWS, que são necessários para passar no exame SAA-C03 na primeira tentativa.
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