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Minha experiência no AWS New Voices 2026

Nessa semana, participei do primeiro encontro do AWS New Voices 2026, um programa voltado para desenvolver habilidades de comunicação, criação e apresentação de palestras técnicas sobre temas AWS.

O encontro aconteceu via Zoom e reuniu mais de 140 participantes de diferentes países, incluindo pessoas da Indonésia, Estados Unidos, Itália, Canadá, Gana e Brasil. Para mim, esse primeiro dia foi desafiador, não somente por ser conduzido em inglês, mas também porque foi uma experiência rica em informações que uma boa apresentação não depende apenas do conhecimento técnico. Ela precisa ter uma mensagem clara, usar palavras simples e ter conexão com a audiência.

Neste artigo, vou compartilhar o que é o AWS New Voices, para quem ele é direcionado e como foi o primeiro dia da minha participação neste programa.

Índice

O que é o AWS New Voices?

O AWS New Voices é um programa de desenvolvimento de comunicação para profissionais da AWS Community Builders que desejam melhorar sua habilidade de falar em público, contar histórias e apresentar temas técnicos de forma mais clara.

A ideia não é apenas ensinar alguém a montar slides ou decorar uma apresentação. O foco é ajudar o participante a transformar conhecimento técnico em uma mensagem que faça sentido para a audiência.

Isso é muito importante na área de tecnologia. Você provavelmente já conheceu alguém que sabe explicar um serviço, uma arquitetura ou uma solução em detalhes, mas talvez tenha dificuldade em transformar esse conhecimento em uma apresentação simples, envolvente e útil para um cliente, não é mesmo?

Por isso que esse programa é importante. Porque um dos maiores desafios de quem possui conhecimento técnico é a falta da capacidade de se comunicar. E esse programa foi feito para ajudar a desenvolver essa habilidade.

Para quem é o AWS New Voices?

O programa foi liberado para participantes do AWS Community Builders, que é uma comunidade formada por profissionais que compartilham conhecimento técnico, criam conteúdo, participam de eventos e contribuem com a comunidade AWS.

Como os encontros são conduzidos em inglês, é importante que os participantes consigam se comunicar nesse idioma. Isso não significa falar inglês perfeitamente, mas sim ter disposição para participar, interagir, apresentar ideias e receber feedback.

Para mim, esse ponto foi um dos maiores desafios. Eu consigo estudar, ler documentação e consumir muito conteúdo técnico em inglês. Mas falar ao vivo, com pessoas de outros países, dentro de uma dinâmica de apresentação, exige outro tipo de preparo.

E, justamente por isso, que o programa é tão único e especial. Porque ele vai te colocar em posições de desconforto e na constante busca da superação por meio da entrega entre cada exercício e apresentação.

Como foi o primeiro encontro do AWS New Voices?

O primeiro encontro começou com orientações gerais para todos os participantes. A sessão teve um clima muito acolhedor e, ao mesmo tempo, muito bem organizado.

Os apresentadores foram Meridith Grundei e Gary Grundei, que conduziram o encontro de uma forma muito dinâmica. Enquanto Meridith liderava as explicações e preparava os participantes para as atividades, Gary era o facilitador que acompanhava com movimentos, presença corporal e música ambiente, criando uma experiência diferente de um treinamento técnico comum.

Meridith Grundei em AWS New Voices 2026
Gary Grundei em AWS New Voices 2026
Logo no início, foram apresentadas algumas orientações chamadas de housekeeping guidelines, que, em resumo, os participantes precisavam seguir cinco pontos:
  1. Participar de 4 das 5 sessões para receber o badge do programa.
  2. Manter o nome completo atualizado na tela, para controle de presença.
  3. Ficar com a câmera ligada para facilitar a interação.
  4. Usar a visualização em galeria, para que todos pudessem se ver melhor.
  5. Aproveitar a experiência e se divertir durante o processo.
Esse último ponto parece simples, mas fez diferença. O treinamento não começou com pressão. Começou com a ideia de criar um ambiente seguro para aprender, errar, praticar e evoluir. E foi justamente o que todos fizemos.

Dinâmicas de grupo para quebrar o gelo

Depois das orientações, fizemos algumas dinâmicas para preparar o corpo e a mente.

Primeiro, houve um exercício de percepção do ambiente. A proposta era sentir o chão com os pés, perceber o corpo, os braços e as mãos. Em seguida, fizemos um exercício de respiração usando a técnica 4, 7, 8:

  • inspirando por 4 segundos.
  • segurando o ar por 7 segundos.
  • expirando por 8 segundos.

Também fizemos movimentos com o corpo, com os braços e as mãos, para nos soltarmos diante dos outros participantes. Para quem está acostumado com treinamentos técnicos, esse começo pode parecer um pouco estranho. No meu caso, pareceu desconfortável só no início, porque, alguns segundos depois, já estava bem solto para seguirmos.

E somente depois entendi o objetivo. Porque o processo de comunicação se inicia no ato em que nos sentimos presentes. Assim, antes de apresentarmos uma ideia para um público, precisamos lidar com a nossa tensão de estar diante das outras pessoas.

A última dinâmica desse primeiro bloco foi um trava-língua em inglês:

“You know New York,

you need New York,

you know you need unique New York.”

Repetimos a frase algumas vezes e depois abrimos o microfone para falar todos juntos. Foi divertido, mas também mostrou como dicção, ritmo e presença fazem parte da comunicação e são diferentes para cada um.

O que uma audiência espera de um palestrante?

Uma das ideias mais importantes do primeiro encontro foi sobre o que acontece quando alguém sobe ao palco.

A audiência, mesmo sem perceber, tenta responder rapidamente a três perguntas:

  1. Quem é você?
  2. Por que eu deveria me importar?
  3. Como você vai resolver o meu problema?

Saber que a assistência pensa isso, antes de subirmos ao palco, ajuda em como pensamos sobre nossa apresentação técnica. Já que muitas vezes começamos falando de serviço, arquitetura, recurso, configuração e código. Mas a audiência primeiro precisa confiar em quem está falando.

Para criar essa confiança, foi apresentado o conceito do triângulo da confiança, que é baseado em três elementos: autenticidade, lógica e empatia.

Triângulo da Confiança
Triângulo da Confiança, do professor Frances Frei (2020)

A autenticidade significa que a audiência consegue experimentar o seu eu real. Ou seja, você não parece estar representando um personagem.

A lógica significa que a audiência percebe que você sabe o que está fazendo. Seu raciocínio é sólido e a sua explicação faz sentido.

A empatia significa que a audiência acredita que você se importa com ela e com o sucesso dela.

Quando esses três elementos estão presentes, a confiança aumenta. E quando falta um deles, a apresentação pode perder força, mesmo que o conteúdo técnico seja bom.

Como explicar a nuvem para alguém de 1625?

Depois dessa introdução, chegou o momento do nosso primeiro exercício prático. E nenhum de nós estava preparado para o que estava por vir.

Como você explicaria o que é nuvem para alguém de 1625?
Como você explicaria o que é nuvem para alguém de 1625?

A pergunta era até simples, mas difícil por um detalhe: como você explicaria a nuvem para alguém do ano 1625?

Fomos separados em salas menores, e eu caí com uma pessoa de Gana. Em inglês, tivemos que explicar um para o outro o conceito de nuvem pública, como se estivéssemos falando com alguém de uma época em que computadores, internet e data centers não existiam.

Meu objetivo pessoal foi fugir de termos técnicos. Usei a analogia de alguém que precisava construir algo, mas não precisava fazer tudo sozinho e nem no próprio local. Essa pessoa poderia chamar outras pessoas para ajudar, cada uma realizando uma tarefa em outro lugar. Depois, o resultado seria entregue conforme o combinado e sob demanda.

A partir dessa ideia, expliquei que a nuvem é como usar serviços distantes para realizar tarefas, armazenar informações, processar e devolver os resultados quando precisamos.

Foi a melhor analogia que consegui criar naquele momento. E o exercício me ensinou algo muito importante: simplificar não é diminuir o valor do conhecimento. Simplificar é tornar o conhecimento com palavras simples.

Meu parceiro fez uma explicação mais técnica, citando serviços e tecnologias logo de início. Foi uma boa apresentação, e eu até elogiei. Mas o exercício me fez refletir se alguém de 1625 realmente conseguiria entender aquela explicação.

Ali ficou claro que o objetivo era outro. O objetivo não era explicar o que era a nuvem, mas sim desconstruir algo complicado e torná-lo simples.

Como será o programa de cinco semanas?

Depois das atividades em grupo, voltamos para a sala principal e recebemos uma visão geral de como seria o programa.

O programa terá cinco semanas, com encontros focados em pontos de como desenvolver uma boa apresentação. Entre os temas apresentados, estão:

  1. Conhecer a sua audiência.
  2. Criar uma introdução forte.
  3. Desenvolver o corpo da apresentação.
  4. Construir uma chamada para ação.
  5. Usar recursos visuais com clareza.

Gostei muito dessa estrutura, porque ela mostra que uma palestra não começa no slide. Ela começa na compreensão de quem está ouvindo.

Antes de escolher o que falar, preciso entender para quem estou falando, qual problema aquela pessoa tem e qual transformação eu quero entregar com a minha mensagem.

Minha primeira Lightning Talk?

O segundo exercício foi uma Lightning Talk, em português, “Palestra Relâmpago“. Tínhamos cinco minutos para pensar em um tema livre e depois apresentar em até três minutos.

Escolhi desenvolver o tema “What AWS Taught Me About Responsibility“, em português, “O que a AWS me ensinou sobre responsabilidade“.

Iniciei minha apresentação falando sobre a minha primeira experiência na criação de serviços na AWS e que, só mais tarde, entendi que a liberdade de construir algo rápido, sem a responsabilidade de segurança, gera riscos, custos e falhas. Finalizei que hoje não penso apenas na tecnologia, mas sim na responsabilidade em enxergar que cada permissão tem reflexo direto na segurança, no custo, na disponibilidade e até nas pessoas. 

Fomos novamente divididos em salas menores no Zoom. Dessa vez, fiquei com uma brasileira e um participante da Indonésia.

Mesmo com uma brasileira na sala e a vontade de falar em português, continuamos a conversa em inglês, respeitando o outro participante e o contexto do treinamento.

Lightning Talk no AWS New Voices 2026
Lightning Talk no AWS New Voices 2026

Fiz minha apresentação em cerca de dois minutos e meus colegas também fizeram ótimas apresentações e conseguiram entregar suas ideias dentro do tempo.

Esse exercício foi importante porque obrigou cada um a organizar uma ideia com começo, meio e fim.

Aprendi que, em uma apresentação curta, não há espaço para enrolação. E, para isso, preciso escolher uma mensagem central e conduzir a audiência até ela.

Ao final desse segundo exercício, retornamos para a sala principal e tive a oportunidade de compartilhar minha experiência com todos do programa.

Comentei que o exercício tinha sido desafiador, principalmente por causa do idioma em inglês. Também disse que, no futuro, e como sou residente no Brasil, farei palestras em português, e que isso facilitará a conexão das ideias.

A Julia Molitzas também compartilhou a sua experiência e ela demonstrou uma desenvoltura incrível de comunicação no inglês ao explicar como foi desafiador desenvolver e fazer um Lightning Talk em outro idioma.

Em seguida, mais participantes levantaram a mão para compartilhar suas dores e vitórias e, ao prestar atenção em cada fala, isso me deixou mais confortável, pois entendi que não estava sozinho nesse desafio.

Participantes 01 - Zoom AWS New Voices 2026
Participantes 02 - Zoom AWS New Voices 2026
Participantes 03 - Zoom AWS New Voices 2026
Participantes 04 - Zoom AWS New Voices 2026
Participantes 05 - Zoom AWS New Voices 2026
Participantes 06 - Zoom AWS New Voices 2026

O que aprendi no primeiro dia?

O ponto principal que levei desse primeiro dia foi que um palestrante precisa conhecer bem o assunto, mas o que realmente vai deixar a marca na audiência é em como ele entrega a mensagem.

Conhecimento técnico é importante. Sem ele, a apresentação fica vazia. Mas conhecimento técnico sozinho não basta. É preciso organizar ideias, simplificar conceitos, criar conexão e entregar uma mensagem que ajude a audiência a entender algo com clareza e a fazê-los tomar uma ação no final.

No final, todos fomos convidados a compartilhar em uma única palavra a experiência desse primeiro dia, e algumas palavras escritas no chat do Zoom foram desde desafiador, transformador e até AWSome (junção de AWS com awesome).

Para mim, a melhor palavra para descrever esse dia foi insightful, porque todos os exercícios e cada experiência compartilhada me ajudaram a refletir sobre a minha própria jornada. Também percebi que, para continuar o meu desenvolvimento profissional, preciso ouvir diferentes perspectivas e melhorar a minha comunicação, para assim alcançar o meu objetivo, que é ser um palestrante claro nas palavras, reconhecido e inspirador.

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